Jia Liu, tomado de justa indignação, ergueu o braço e bradou com voz firme: “Meu avô verteu sangue e lágrimas por esta grande dinastia, como podem ousar dizer que minha família descende de traidores?”
Outono profundo do trigésimo oitavo ano de Qianlong, Pequim.
Era pouco depois do meio-dia, por volta das três e quinze, quando, na famosa entrada do Beco da Família Han, fora do Portão Frontal, apareceu um jovem carregando uma gaiola de pássaro na mão direita e segurando dois caroços de noz na esquerda.
O rapaz parecia ter dezessete ou dezoito anos, vestia uma túnica longa com um colete de botões duplos por cima, calças azuis e usava o típico chapéu de pele dos homens das bandeiras, além de botas de couro. Não havia dúvidas: era um homem das bandeiras.
E de fato, era mesmo. Esse jovem era descendente de uma família das Bandeiras, mas não das oito de Manchus, e sim das oito de Han.
Seu avô, o velho da família, fora muito distinto: governador de Henan, ministro de guerra, tutor do príncipe herdeiro, condecorado com o título de nobre “Dragão das Nuvens” e responsável por grandes feitos na pacificação da dinastia Ming durante o estabelecimento da dinastia Qing. Era o famoso Jia Hanfu, o tutor Jia.
Porém, apesar de toda a glória em vida, já se passaram mais de cem anos desde a entrada dos Qing em Pequim, e a família Jia, desde então, não produziu mais figuras de destaque, tornando-se hoje apenas uma família comum de bandeirantes na capital.
Os membros da família dependiam do salário e da ração exclusiva dos homens das bandeiras, além do título hereditário que rendia oitenta e cinco taéis de prata por ano. Esse sustento era considerado razoável entre as bandeiras Han, mas, comparado às bandeiras Manchu e Mongol, era insignificante.
A m