Após uma noite de bebedeira, despertei no mundo do Pátio Quadrado. Ao observar os moradores, todos com semblantes traiçoeiros, senti que a situação estava prestes a desandar. Felizmente, um poder extr
Em meados de junho de 1955, no número 95 do Beco do Tambor do Sul, no pátio central de um tradicional casarão de Pequim, um jovem de traços delicados abriu os olhos, confuso, fitando o teto manchado pelo tempo.
"Quem sou eu?"
"Onde estou?"
"Fui sequestrado?"
"Estou perdido! Sou um pobre coitado, quem vai pagar resgate por mim? Certamente vão me matar!"
O jovem sentou-se abruptamente. Mas, pensando melhor, se fosse realmente um sequestro, seria difícil encontrar uma casa tão arruinada, mesmo nos arredores de uma cidade pequena. Além disso, a República Popular é um dos países mais seguros do mundo; um sequestro em plena cidade seria absurdo.
Tentou levantar-se para entender melhor a situação, mas uma vertigem o forçou a deitar novamente. De repente, uma enxurrada de lembranças desconhecidas invadiu sua mente, esclarecendo tudo.
Estava em Pequim. Em sua vida anterior, havia se reunido com amigos após anos sem se verem; bebeu demais, estava sozinho em casa, ninguém para cuidar dele, e, de alguma forma, morreu.
O dono original deste corpo era filho único de operários de uma usina siderúrgica. O pai trabalhava na segurança, de plantão à noite; a mãe, ao levar o jantar ao marido, encontrou-se com sabotadores e ambos pereceram no cumprimento do dever. Incapaz de suportar o golpe, o rapaz entregou-se à bebida, e, no dia anterior, morreu sufocado pelo próprio vômito.
Olhando para o vômito sobre o kang, sentiu um asco profundo; parte do líquido também sujara suas roupas, uma situação realm