Um bom rapaz, trabalhador e aplicado, sem perceber entrou no mundo errante das artes marciais; quanto mais avançava, mais longe ia. Talvez se possa dizer que era uma boa pessoa, talvez se possa dizer
Ao luar do crepúsculo, uma cidadezinha empoeirada, com ruas tranquilas e quase sem brilho, parecia ainda mais remota. À saída da Porta da Frente, havia duas casas de escolta e três casas de venda de arroz espalhadas ao longo das vias.
De uma das casas de escolta, a da esquerda, saiu um rapaz, o rosto sujo e marcado pelo cansaço.
Ele soltou um longo suspiro, segurando num pão escuro, e foi mastigando enquanto caminhava sem rumo para fora.
— Costela, onde é que vais? — perguntou alguém.
— Dar uma volta.
Ao responder, engoliu depressa o pão seco que tinha na boca e virou a cabeça, falando de forma um tanto indistinta.
Não ousava desagradar aos outros, ainda que fosse apenas o guarda da porta.
— Não te afastes. Vai dormir cedo. Amanhã de madrugada saímos com a carga, tens de descansar bem, senão pode haver desgraça.
A voz de dentro do portão voltou a repreendê-lo várias vezes, dura, mas com uma ou outra nota de preocupação.
— Está bem, está bem. Já volto.
Enquanto dizia isso, apressou o passo, afastando-se mais da entrada da casa de escolta e seguindo na direção da porta da cidade.
O Condado da Pedra Azul só podia ser considerado um lugar remoto, perto da fronteira sudeste do Reino Marcial Vencedor. As ruas do lado oeste da cidade eram a chamada Porta da Frente, e delas partiam várias estradas para destinos diferentes.
Para leste, não se podia ir: dali em diante já era fronteira, e era fácil ser preso como espião.
O pão escuro que ele tinha nas mãos era feito com grãos grosseiros de qualidade infer