A catástrofe desceu e engoliu o mundo. A humanidade ergueu muralhas colossais com suas últimas forças, construiu grandes cidades e preservou a última centelha. E agora, a catástrofe voltou a se mover.
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Li Noite descobriu-se em um espaço estranho, envolto por uma neblina densa que se movia em camadas, através da qual era possível distinguir, ao longe, manchas de luz distorcidas e sombrias. O ar ao redor tornava-se cada vez mais viscoso, prendendo-o no lugar, impossibilitado de se mover.
“De novo...” pensou Li Noite, com tristeza.
Mais uma vez, ele adentrava aquele sonho estranho. Nos últimos anos, periodicamente, era lançado nesse pesadelo enigmático. E, ao longe, uma silhueta negra, distorcida e obscura, aproximava-se dele, incessantemente. Como sempre acontecia. Mas, diferente da última vez, a sombra estava cada vez mais próxima.
Quantos anos já haviam se passado? Aquilo ainda não desistira.
Li Noite conseguia, através da névoa, vislumbrar o contorno deformado da figura negra: inúmeras tentáculos se arrastavam e retorciam de suas costas, rostos indistintos e membros bizarros emergiam e se afundavam em seu corpo. Mais ao fundo, quatro grossas correntes de luz e sombra se estendiam, puxando e restringindo a criatura, impedindo seu avanço.
À medida que a sombra se aproximava, a sensação de sufocamento, como se estivesse submerso no fundo do mar, ameaçava matá-lo, até que tudo à sua frente se tornava completamente escuro.
Ao redor, fragmentos de vozes ecoavam, misturando cânticos e gritos, lamentos e murmúrios. Palavras obscuras, sons sem gênero, mas Li Noite compreendia seu significado.
‘Onde está você?’
...
Cidade Fronteira Número Três, em um apartamento na parte antiga da cidade, um jovem de aparê