Um bonzinho dos tempos modernos transmigra para virar um bonzinho da era primordial e ainda fica vinculado a um sistema sem escrúpulos, coletando pontos de raiva com boas intenções.
Onde estou?
A consciência de Chen Zhe foi despertando aos poucos, mas ao redor só havia uma névoa cinzenta, sem que se visse nada. Tudo estava em silêncio, um silêncio tão profundo que chegava a ser terrível.
Ele tinha a certeza de existir, mas não conseguia mover-se nem um pouco; não via o próprio corpo, não percebia nada do que o cercava.
Aquilo que o envolvia parecia ar, algo que se podia respirar, mas ao mesmo tempo lembrava água imóvel, pois não trazia nem a umidade da chuva, nem o cheiro da terra, nem o odor de animais ou plantas.
Seus pensamentos foram recuando, pouco a pouco, até o momento em que ainda podia controlar o corpo. A última coisa que fizera com ele fora correr para o outro lado da rua, empurrando para longe de um caminhão um menino pequeno que estava prestes a ser atingido.
Em seguida, o caminhão não conseguiu parar a tempo, e seu corpo foi lançado com o impacto. A dor lancinante e o sangue que escorria foram as últimas sensações de Chen Zhe.
Agora... parecia um fantasma — não, parecia uma alma. Não podia ver com os olhos, não podia mover as mãos, não podia falar; flutuava no vazio.
Nem sabia quando os mensageiros do submundo viriam buscá-lo, nem se, na próxima vida, conseguiria nascer com sorte.
O seguro provavelmente pagaria muito dinheiro, suficiente para sustentar os pais na velhice, talvez. Os pais não tinham só ele como filho; certamente sofreriam por um tempo e, depois, continuariam a viver.
Chen Zhe sentia o próprio corpo em movimento, mas não conseguia controlá-lo; só lhe restava passar o