O “Rei dos Soldados” retorna à cidade moderna. Seu único desejo era proteger a filha de um antigo companheiro de batalha e, de maneira discreta, dedicar-se inteiramente à vida de um pai em tempo integ
Com a fotografia envelhecida entre os dedos, o coração de Han Fei estava longe de sossegar.
— Esta é a tua última preocupação? Pois bem, eu te prometo: enquanto eu viver, não permitirei que lhe aconteça qualquer mal! — murmurou ele, esmagando a bituca do cigarro no chão. Lançou um último olhar às ruínas atrás de si e, cambaleante, encaminhou-se para a saída da caverna, deixando atrás de si um rastro de pegadas ensanguentadas.
Era uma foto antiga, amarelada pelo tempo. Nela, uma menina de treze, talvez quatorze anos, sorria com inocência e graça, o rosto ainda pueril mas já anunciando uma beleza singular. No verso, apenas algumas palavras: Ye Qingxue, Primeira Escola de Haibin...
Ao amanhecer, sob o céu cinzento salpicado de estrelas dispersas, Han Fei saiu da estação de trem. Com o canto dos olhos, examinou cauteloso os arredores; apenas quando se certificou de que nada havia de anormal, entrou pela viela ao lado da rua.
No interior de um velho contêiner verde, vasculhou até encontrar um saco plástico negro, fechado com esmero. De seu conteúdo, retirou apenas a nova carteira de identidade; os demais documentos, sequer os olhou, ateando-lhes fogo com o isqueiro.
— Para Haibin, trinta por cabeça, falta só mais um pra partirmos! — gritavam os taxistas na esquina, misturados a motoristas particulares. Ao ouvir o sotaque familiar de Haibin, Han Fei sentiu o peito agitado por uma emoção indescritível.
Meia hora depois, Han Fei deteve-se diante de um beco desolado. À entrada, um antigo contêiner verde jazia rachado, dele escorrendo um líquido