Nos anos cinquenta, sob o deserto de Lop Nor, foi descoberta uma estranha base subterrânea, onde exploradores sucumbiam um após o outro. Criaturas anômalas surgiam, alimentando rumores e superstições.
Em minha lembrança, meu pai costumava regressar ao lar a cada seis meses, trazendo consigo um leve odor terroso; e a cada retorno, permanecia por um período considerável. Esses momentos constituíam as horas mais felizes da minha infância. Meu pai costumava dizer que, sendo um homem de meia-idade ao me ter, não lhe fora fácil; talvez por isso, dispensava-me um afeto extremo.
Meu pai não apenas passava os dias a brincar comigo, presenteando-me com curiosidades trazidas do mundo exterior, mas também se sentava comigo no quintal dos fundos para lermos juntos. Sempre retirava de algum lugar um livro surrado, que chamava de “livro extraordinário”, e pedia que eu decorasse seus escritos.
“...No canto sudeste acende-se uma vela, pois segundo os cinco elementos e os oito trigramas, ‘sun’ significa submissão, entrada, propício à estabilidade...”
Aqueles caracteres em estilo de selo eram não só difíceis de decifrar, como também obscuros em significado. Embora eu os decorasse todos, conforme exigia meu pai, jamais compreendia seu real sentido. Ainda assim, bastava contemplar o sorriso satisfeito de meu pai para que eu estivesse disposto a memorizar quantas passagens entediantes e áridas fossem necessárias.
Mas agora, já se passaram dois anos sem que eu veja meu pai. Minha mãe diz que ele foi para um lugar muito, muito distante. Onde seria exatamente esse lugar? O que teria ido fazer lá? Sempre que, curioso, eu lhe dirigia tais perguntas, minha mãe respondia com doçura: “Você ainda é pequeno; mesmo que eu explicasse, não entenderia. Quando crescer, compreender